Forças Armadas podem ficar sem verba para gerenciar abrigos

Medida Provisória que destinou R$ 190 milhões chegou anteontem ao Congresso Nacional e não há previsão de votação

Em entrevista à Folha, a governadora Suely Campos criticou o descaso do Governo Federal com a votação da Medida Provisória 823, que abriu crédito extraordinário de R$ 190 milhões para o Ministério da Defesa gerenciar a crise migratória em Roraima. A medida provisória vence dia 9 de julho, segunda-feira, mas não há previsão de entrar na pauta da Congresso Nacional, porque não há nenhuma reunião agendada, e deverá “caducar”, ou seja, perder a validade.

“Mesmo sem ter destinado um centavo desse recurso para ajudar o Estado de Roraima a enfrentar o forte impacto da crise migratória na saúde, na educação e na segurança pública, é lamentável que o Governo Federal não tenha articulado a conversão dessa medida em lei, porque há uma possibilidade concreta de que as Forças Armadas fiquem sem verba para gerenciar os abrigos que mantêm em Roraima”, criticou a governadora.

Na avaliação da chefe do Executivo, a situação que já é muito grave em Boa Vista, Pacaraima, Amajari e demais municípios do Estado, vai piorar. “Agora estamos com a preocupação redobrada, pois mesmo com o Governo Federal se dispondo a ajudar as Forças Armadas com recursos para custear todos esses abrigos, fazer a interiorização – que por sinal está ocorrendo de forma muito lenta –, estamos nessa situação de hospitais superlotados, aumento da criminalidade, mulheres e crianças nas ruas, pedindo auxilio nos semáforos, imagina sem esse apoio”, lamentou.

Ela atribui a não votação da matéria, que só anteontem, dia 4, chegou ao Congresso, à falta de vontade política do presidente Michel Temer e criticou o presidente do MDB, o senador Romero Jucá, que foi relator revisor da MP.

“O senador Romero Jucá é o mais influente do governo Temer. Ele foi eleito pelo povo de Roraima e não fez nenhum esforço para que essa MP fosse pautada e aprovada. Nós somos adversários políticos, mas ele precisa de maturidade política para entender que a população de Roraima é a maior prejudicada. Está muito claro que não terei o apoio do senador Jucá, mas não podemos aceitar que um senador da República, eleito pelo povo de Roraima, seja tão insensível, tão apático, tão imaturo politicamente para prejudicar uma população”, pontuou.

Suely Campos ponderou ainda que, nas eleições deste ano, a população deve avaliar quem realmente trabalha para resolver os entraves do Estado, principalmente os que se referem à imigração. Ela frisou que vem lutado solitariamente desde 2016, sem um aceno do Governo Federal.

“Os três primeiros abrigos foram criados pelo Governo do Estado. Fiz várias audiências com o Presidente da República e tive diversos encontros com ministros de áreas afins, mas nenhum recurso foi destinado para compensar os esforços do Governo do Estado. Eu não tenho como custear um aumento repentino de 10% na população. Estou tendo impactos na saúde de uma forma avassaladora. Outros setores que também sofrem impactos são a segurança e a educação. Realmente espero que o MDB não permaneça na Presidência a partir do ano que vem, pois o que eles estão fazendo com Roraima é avassalador”, disse.

Segundo o governo, atualmente o Exército informou que existem 4 mil venezuelanos abrigados. “Temos mais de 50 mil no Estado, mas muitos moram em casas alugadas ou estão trabalhando em fazendas, mas dentro dos abrigos são 5 mil venezuelanos que todos os dias se alimentam e dormem nesses locais. Se essa verba de custeio não vier mais, vão devolver esses venezuelanos para a rua”, concluiu Suely Campos.

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